MOVIMENTO MAKER E A EDUCAÇÃO DO SÉCULO XXI

MOVIMENTO MAKER E A EDUCAÇÃO DO SÉCULO XXI
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Artigo apresentado à disciplina de Inteligência Artificial no Programa de Mestrado em Educação do Grupo Educacional Uninter

MOVIMENTO MAKER E A EDUCAÇÃO DO SÉCULO XXI

Fábio Garcez Bettio

Uninter – Grupo Educacional Uninter
Rua do Rosário, 147 – São Francisco, Curitiba – PR, 80020-110

fgbettio@yahoo.com.br

 

Resumo. O presente artigo tem por objetivo explanar sobre a educação maker, visando um melhor entendimento sobre o assunto abrindo pauta sobre os pontos importantes de tal metodologia de aprendizagem em um ambiente cada vez mais dinâmico e tecnológico. Ao logo do estudo fatores relevantes das estruturas que podem dar suporte a este movimento são abordadas e explicadas, como os Espaço Makers e os FabLabs.

Palavras-chave: Educação Maker, Movimento Maker, Insdutria 4.0, FabLabs, Espaço Maker, Tecnologias Educacionais.

1. Introdução

No mundo e no Brasil a quarta revolução industrial vem trazendo grande agitação e impulsionando mudanças no cenário mundial e nacional, com a Indústria 4.0 a velocidade das transformações cresceu ainda mais, atingindo fortemente a educação, surge neste ponto a chamada Educação 4.0, onde novas Tecnologias Educacionais de ensino e formas de aprendizagem mais dinâmicas e modernas são aplicadas com o intuito de preparar o profissional para um mercado em constante mudança.

Nos dias atuais o processo de automação e a inteligência artificial já vêm colocando em risco diversos empregos e criando outros tantos que nem imaginávamos que seria possível há alguns anos, porém o que temos certo é que as atividades menos repetitivas e que exijam habilidades mais humanas do que técnicas ainda não são ameaçadas, entre elas a criatividade.

Somos seres criativos por natureza (REIBNITZ; PRADO, 2003), criamos a todo o momento, inovamos, mudamos pelo prazer de mudar. Esse sim é um caminho farto para o crescimento e para o futuro. Visando o fomento da criatividade, diversos movimentos e metodologias passam a focar o aprendizado criativo e a inovação. Empresas já buscam a um bom tempo tais habilidades e o momento está propício para estas iniciativas. Contudo nossas escolas necessitam formar um profissional mais criativo e inovador que possa agregar para a sociedade do futuro novas habilidades desconhecidas no momento atual. Já temos hoje crianças sendo educadas na metodologia STEAM baseada em projetos e atividades práticas onde a multidisciplinaridade tem um papel importante. Neste cenário as metodologias ativas tem um papel importante bom como os laboratório de prototipagem digital, chamados FabLab e suas variantes, onde o aluno é colocado em contato direto com a tecnologia e estimulado a desenvolver soluções para problemas do seus cotidiano. Neste ambiente surgem diversas iniciativas visando a modernização da atual forma de trabalho, permitindo que projetos e atividades antes possíveis apenas no ambiente industrial possam estar ao alcance de todos, dentre estas iniciativas a que tem tido um impacto significativo é o Movimento Maker, o qual será abordado neste trabalho.

2. Fundamentação Teórica

“As mudanças são tão profundas que, na perspectiva da história da humanidade, nunca houve um momento tão potencialmente promissor ou perigoso” SCHWAB 2016.

 

 

Segundo SCHWAB 2016 a quarta revolução industrial está fundindo o mundo físico, digital e biológico, trazendo perspectivas empolgantes e ao mesmo tempo alarmantes.

A primeira revolução industrial se deu de forma intensa e alarmante, porém relativamente lenta, com a chegada das máquinas a vapor e das ferrovias, o sistema produtivo é impactado e as transformações ocorrem em torno do século XVIII e XIX. Logo mais no final do século XIX o surgimento da eletricidade permite que as primeiras linhas de montagem se tornem algo corriqueiro e a indústria produtiva mostra sua força. Por volta de 1960 surge a terceira revolução industrial onde os sistemas computadorizados e o mundo digital ganham força e peso na economia, máquinas mais rápidas, mais precisas e mais otimizadas transformando a cadeia produtiva em um sistema complexo de produção com equipamentos integrados, autônomos e velozes. Na entrada do século XXI surge a quarta revolução industrial com a criação da robótica, da inteligência artificial, dos veículos autônomos, da impressão 3D, da internet das coisas, da biotecnologia, da nanotecnologia e da computação quântica, bem como a absurda aceleração dos processos produtivos, onde tecnologias novas surgem da noite para o dia e se tornam obsoletas na mesma velocidade.

No decorrer destas mudanças ao longo dos séculos o que mais chama a atenção é a velocidade com que tais mudanças ocorrem, a amplitude do impacto que causa e a profundidade dos efeitos gerados.        Com a demanda da indústria em crescente mudança aumenta cada vez mais a necessidade de mão de obra especializada, semelhante ao que ocorreu na primeira revolução industrial onde o camponês acaba migrando para a cidade e tem de aprender novos ofícios. Nossos trabalhadores do presente acabam sofrendo de forma muito similar, mas dessa vez em uma velocidade extremamente mais perigosa e descontrolada. Para tentar suprir tais debandas de habilidades e competências que até então nem existiam, em muitos casos, as instituições de ensino passam a tentar se adaptar as novas exigências e repensam como seria preparar o indivíduo para possuir tais habilidades. Surgindo ai a chamada Educação 4.0 que visa fornecer para o mercado um profissional apto a desenvolver suas habilidades de forma constante, multidisciplinar e integrada.

Dentre os principais movimentos educacionais surgidos nos últimos anos destacam-se as metodologias ativas, entre elas a S.T.E.A.M. (Science, Technology, Engineering, Arts e Mathematics), esta metodologia apresentada pela Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos foca o aprendizado baseado em projetos, idealizando e propondo problemas que podem ser resolvido com o uso das disciplinas escolares tradicionais, para que em conjunto o aluno seja capaz de resolver problemas multidisciplinares e ainda desenvolver um maior interesse pelos conteúdos ministrados tendo em vista sua imediata aplicação prática. (SOUSA; PILECKI, 2013).

Dentro da mesma idéia de trabalhar com projetos surge na década de 90 um movimento filosófico chamado de Movimento Maker, que prega o conceito da educação mão na massa, a qual segue, acima de tudo, a premissa de faça você mesmo, também chamado do inglês DIY (Do It Yourself) que teve sua grande ascensão a partir de 2005 com o lançamento da Revista Maker Moviment e da Feira Maker. Este movimento está fundamentado em alguns pilares de desenvolvimento muito embasados em tecnologia, mas não exclusivamente dependentes dela, recursos e ferramentas permitem que tal metodologia de aprendizado tome força e possa representar uma real transformação do ensino. (GAVASSA, et al, 2016).

O Manifesto Maker

O manifesto surgiu em 2014 em uma das edições da Make Fair onde Adam Savage do programa Caçadores de Mitos (Mytherbusters) apresentou os nove mandamentos do Maker, sendo possivelmente tão importante quanto as três leis da robótica de Isaac Asimov. Abaixo os nove mandamentos traduzidos para o português. (HATCH, 2014)

  1. Make – Faça. É o que define o ser humano.
  2. Share – Compartilhe. É o método pelo qual o maker (fazedor) se sente completo.
  3. Give – Doe. Há poucas coisas mais satisfatórias do que, com desprendimento, doar algo que você fez.
  4. Learn – Aprenda. É preciso aprender a fazer. E, por mais que você se torne um mestre artesão, sempre há novas técnicas, materiais e processos.
  5. Tool up – Aparelhe-se. Você precisa ter acesso às ferramentas corretas para o projeto que tem em mãos. Invista e desenvolva acesso a elas, que nunca foram tão baratas e fáceis de usar.
  6. Play – Brinque. Divirta-se com o que está fazendo e você ficará surpreso, animado e orgulhoso do que vai descobrir.
  7. Participate – Participe. Una-se ao movimento maker e tenha acesso a pessoas a sua volta que estão descobrindo a alegria de fazer.
  8. Support – Apoie. Esse é um movimento e ele exige apoio emocional, intelectual, financeiro, político e institucional.
  9. Change – Mude. Acolha a mudança que vai acontecer naturalmente em sua jornada de maker.

Hoje a cultura maker já está presente nas mais variadas áreas, tanto na indústria quanto nas instituições de ensino, a cultura maker acaba por fornecer um ambiente propício a criatividade e a inovação, fatores cruciais para o momento que vivemos. Contudo nada disto pode ser realizado sem recursos, assim máquinas e equipamentos se fazer necessários dando origem a várias iniciativas, algumas privadas, outras de renomeadas instituições como é o caso dos FabLabs do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).

O termo FabLabs vem da abreviação do inglês Fabrication Laboratory e consiste em uma rede de estabelecimentos públicos e privados espalhados pelo mundo todo onde os mais variados projetos são executados e compartilhados, seu funcionamento sege algumas regras e garantem acesso a todo e qualquer cidadão. Para se tornar um FabLab e obter o registro o estabelecimento tem que possuir alguns equipamentos mínimos, como impressora 3D, Fresas CNC, corte a laser entre outros requisitos e abrir suas portas a comunidade ao menos um dia na semana, além de manter um estreito contato com outros FabLabs espalhados pelo mundo. (EYCHENNE, 2013)

No Brasil a grande concentração ocorrer em São Paulo e região, a qual conta com aproximadamente 40 laboratórios contra apenas dois no Paraná, sendo um nas dependências do Sesi/Senai mantido pela Fiep desde 2017 e outro recém inaugurado pela Prefeitura de Curitiba o FabLab do Cajurú, situado na rua da Cidadania do Cajurú, ressaltando que não há presença de Fablabs no interior do estado. Segundo a lista oficial da Fab Foundation, são mais de 1700 laboratórios ao redor do mundo em 2019. A lista completa pode ser acessada no site da Rede.

Os FabLabs não são a única iniciativa em prol da educação maker, outros movimentos têm ocorrido no Brasil e no mundo, espaços dos mais variados formatos e tamanho vêm somando cada vez mais forças neste movimento. Abordaremos aqui alguns conceitos de igual relevância e impacto no contexto educacional. Como dito os Fablabs são regidos por diversos fatores e seguem algum requisitos mínimos de infra-estrutura e funcionamento, contudo existem outras iniciativas como os Espaços Makers, que possuem a mesma idéia e formato, mas não possuem registro na rede mundial de FabLab, não sendo sujeitos as suas regras, tornando-se assim um espaço mais independente e com suas próprias definições. Qualquer espaço ou lugar pode ser considerado um espaço maker, um pequeno laboratório, ou até uma sala de aula adaptada. Não necessariamente tem que possuir equipamentos eletrônicos ou de robótica, como é o caso das antigas marcenarias, as quais se assemelham em muito a este tipo de trabalho. Sendo assim um espaço maker pode ser qualquer lugar que propicie o fazer, que permita que o aluno, aprendiz ou mesmo alguém mais experiente fazer por si mesmo, com suas próprias mãos, assim estes espaços tem como principal objetivo fornecer a infra-estrutura necessária para que as idéias saiam do papel e se tornem reais, fornecendo não só máquinas e equipamentos, mas um lugar de troca de informações, de co-participação e de colaboração, fazendo do aprender algo extremamente prazeroso.

Outros espaços também compartilham as mesmas idéias, mas com sutis variações, como é o caso dos Hackspaces, lugares normalmente menores com foco mais tecnológico onde o principal objetivo é a modificação de dispositivos, normalmente, eletrônicos, alterando ou agregando funcionalidades que não tenham sido projetadas originalmente. Este termo vem do conceito de Hacker (cortar ou picar) que remete a cortes e modificações realizadas em algo.

3. Considerações Final

No estudo aqui apresentado foram abordados alguns dos principais aspectos que regem a cultura maker, trazendo para discussão os fatores preponderantes deste tema. Assim na visão deste trabalho, o movimento maker tem se tornado cada vez mais presente na vida das pessoas principalmente fora do Brasil, contudo diversas empresas já apostam em tais espaços como forma de fomentar a criatividade e a inovação dentro da corporação. Os laboratórios de fabricação digital já são vistos como um ambiente promissor ao desenvolvimento de novos produtos e serviços, aplicando em muitos casos os princípios do movimento maker de forma intrínseca. Contudo é muito claro observar que apenas o acesso a equipamentos não garante por si só o sucesso deste sistema de aprendizado, o grande ponto são as pessoas e a sua correta motivação.

4. Referências Bibliográficas

 

ANDERSON, C. Makers A nova revolução industrial. Elsevier Editora, 2012.

Metodologias Ativas para uma Educação Inovadora: Uma Abordagem Teórico-Prática.

 

BACICH, L. Moran, J. Metodologias Ativas para uma Educação Inovadora: Uma Abordagem Teórico-Prática. Porto Alegre. Ed. Penso. 2018.

 

BRAGA. N.C. Manual Maker – Primeiros Passos: Montagens e Técnicas. Editora Newton C. Braga, 2019

 

EYCHENNE, Fabien e NEVES, Heloisa. Fab Lab: A Vanguarda da Nova Revolução Industrial. São Paulo: Editorial Fab Lab Brasil, 2013.

 

FAB FOUNDATION. Disponível em: < http://fabfoundation.org/index.html>. Acessada em: Dezembro de 2019.

 

GAVASSA, R. C. F. B. et al. Cultura Maker, Aprendizagem Investigativa por Desafios e Resolução de Problemas na SME – SP (Brasil). FLBrazil. V.01, N. 01, 2016.

 

HATCH, Mark. The maker movement manifesto: rules for innovation in the new world of crafters, hackers, and tinkerers. New York: McGraw-Hill Education, 2014.

 

MIT FabLab. Homepage: Disponível em: http://fab.cba.mit.edu/ acesso em Dezembro de 2019.

 

REIBNITZ KS, PRADO ML. Criatividade e relação pedagógica: em busca de caminhos para a formação do profissional critico criativo. Rev Bras Enferm 2003.

 

RILEY, S.M. STEAM Point.Westminster: EducationCloset. 2012.

 

SCHWAB, Klaus – A Quarta Revolução Industrial. São Paulo: Edipro, 2016.

 

SOUSA, D.A.; PILECKI, T. From STEM to STEAM: using brain-compatible strategies to integrate the arts. Ed. Corwin, 2013.

 

 

Fábio Bettio

Fábio Bettio

Pós-graduado em Engenharia de Software (PUCPR), Graduado em Engenharia de Computação (PUCPR) e Técnico em Eletrônica (CEFET-PR). Fundador do Espaço CMaker um espaço para aprendizado colaborativo e metodologia STEAM, professor de ensino superior na Faculdade da Indústria vinculada ao sistema FIEP onde lecionando as disciplinas de Sistemas Operacionais, Programação C, C# e PHP, Arquitetura de Computadores e Organização de Computadores, Startup e Empreendedorismo, também leciona as disciplinas de Robótica para o ensino integrado do Tecpuc escola do Grupo Marista.

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